des-barba
joão enrique nasceu sem pêlos, pelado, e sem h, apesar de isso não significar muita coisa na sua vida - a não ser pelas piadinhas malvadas que seus amigos faziam, desde o jardim de infância até a vida acadêmica (e a turma do bairro também).
aos 14 anos joão não tinha barba, nem ânsias de tê-la, por isso não fez como seus colegas que pegaram um gilete dos pais (alguns compraram) e passaram na bochecha pelada, fazendo machucados.
às vezes ele deixava recados em bancos de praças e assinava como j.e., pensava se alguém iria achar que seus recados seriam de uma jovem chamada joana eleonora, ou talvez, juliana. ele não é poeta, nem era, nunca foi. talvez, nunca será; mas sempre gostou de escrever coisas desconexas - que ele chamava de “palavras extravagantes”. nunca entendi porque dera esse nome; nem tampouco porque me contara isso na esperança que eu divulgasse para alguém (até parece!).
no final das contas, joão enrique cresceu sem barba, como os indígenas; e até hoje se pergunta por que as pessoas insistem em tirar seus pêlos se depois disso eles crescem ainda mais e dá tanto trabalho!, e as mulheres, então, gastam uma nota com isso.
j.e. mudou-se para guatemala, nunca mais tive notícias. espero que esteja bem. um dia quero ir para bahamas.
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