pornós - pornografia para nós, feita por nós

me lembro que a primeira vez que ouvi falar desse termo, pornós, foi há pouco tempo, alguns anos, em brasília, com amigas na mesa de um bar.
as pessoas que me conhecem sabem como sou fascinada por esse tema, principalmente por faça-você-mesma a sua pornografia. tive uma experiência coletiva há pouco mais de dois anos, num evento em belo horizonte com desenhos, fotografias e gente, muita gente, nua - era um encontro só para meninas. acho que só nós que estivemos presentes podemos dizer como foi aquilo (e eu não saberia expor isso em palavras), mas posso dizer que foi a luz de velas!

após isso várias idéias e, na verdade, poucas aplicadas.

para a última edição desse evento, que foi em fevereiro desse ano, produzi minhas próprias fotografias pornós com um amigo e fiz uma exposição, inspiradas nessas fotografias. o tema, obviamente era: pornós tech! o objetivo era trabalhar essas duas barreiras femininas: apropriação tecnológica e pornografia.

mas por que a pornografia? é uma pergunta que hoje recebo como se fosse “mas por que vegan?”, “mas por que feminista?”.

pornografia

do Gr. pórne, prostituta + gráphein, descrever

s. f.,
representação (por escritos, desenhos, pinturas, filmes ou fotografias) de cenas ou objectos obscenos destinados a serem apresentados a um público;
colecção de pinturas ou gravuras obscenas;
carácter obsceno de uma publicação;
devassidão.

essa pornografia, no meu bem entender, não foi nunca feita para mim, nem para as minhas amigas. foi feita para o meu irmão e para os amigos dele. a mulher gostosona, seus peitos fartos e brilhantes, o cara com seu pau duro, fodendo pra valer. e daí, surgiu a necessidade, não só minha, mas de várias mulheres, garotas trocarem suas experiências, seus retratos, seu passado porno-gráfico e construir com nosso prazer, com o que nos dá prazer, uma nova forma de pornografia.

pornografe-se, é uma manifesto “que pornografia é essa” que está sendo escrito por algumas amigas minhas e que pretendo postar em breve. mas enfim, tudo isso, era para falar de uma outra pornografia com a qual tenho me identificado muito: a comestível, istoé, culinária.

desde que me envolvi com a alimentação viva, tenho descoberto formas cada vez mais interessantes de interagir com os alimentos, seus desenhos, seus cheiros, seus gostos, suas combinações e até mesmo seus desgostos - ouvindo bem para onde o alimento quer me levar e vai me levar ao comê-lo - sabendo que tipo de energia por no alimento quando estou preparando-o. e que coisa importante essa de preparar bem aquilo que vai acabar entrando no meu organismo!

e ontem, que maravilha, me veio uma amiga com um livro: Afrodite: Contos, Receitas e Outros Afrodisiacos. de Isabel Allende. que simplesmente é um livro maravilhoso, de histórias, de dicas de alimentos e de receitas, é claro. para preparar para um/a amante, para amizades coletivas ou não e curtir o momento propício, numa boa… como tudo que é de bom grado deve ser coletivizado, já estou colocando o que estou curtindo no espaço coletivo de culinária, clique aqui. e o que é mais importante, esse é um local aberto e que outras pessoas podem colocar suas receitas também. ah, e assim que tiver frutos desse livro, relatarei lá.
termino esse post (que grande!) com uma citação do livro:


tu te aproximas de mim
com o cheiro
da grama matinal
recém-cortada:
meus mamilos endurecem

- haiku de yuko kawano