o meu desejo
outro dia, escrevi na minha mente um conto-erótico-persuadido, com palavras que não sei de onde brotaram e muito menos onde foram parar, mas que representavam somente o meu desejo de possuir-te.
hoje, o ventre que me dói tanto, tanto, não permite esses pensamentos tão brandos; mas tento, me esforço penso, nos bons momentos, que meus lábios colavam aos seus e percorriam seu corpo docemente, e atroz devorava-lhe o sexo - e com ternura guardava tudo o que podia de ti.

e penso - ah, não penso! - mas, se sinto, não mais do que a minha vontade de ficar, também sinto que a distância nada mais é do que um passo adiante para aquelas que querem construir e provar mais do que ti. e a minha vontade de ir, e a minha vontade de ficar, que me engana - tão corriqueiramente - não faz mais do que eu mesma poderia fazer por mim.
e se fosse para me arrepender, me arrependeria dos momentos que pude ter deixado de aproveitar, com ou sem ti. mas consenti com esse destino tão suspenso, surpreso, tão volúvel e vulnerável da minha vida. e se há de representar um papel, continuo no mesmo, chegando e indo embora - um papel temporário, bem sem demora.
mas ainda há algo que queria exprimir, que por mais que o meu desejo de tê-lo em meus braços seja ardente e intenso; há também dentro de mim um desejo tão grande quanto esse de informar-lhe que não confio em você.
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