em - dois tempos
ele acordou, olhou pro lado, ela não estava lá. olhou para o teto, tentou imaginar o seu reflexo, em vão. se virou de bruço, contou os minutos e levantou-se de sopetão. ela, acordou bem tarde, contou os minutos e tomou um banho quente, acendeu um cigarro, tomou o café e saiu pela cidade, alegremente.
passaram-se os dias, ele pensava nela, na sua companhia - ela já andava por outros lados, outras esquinas; visitou alguns bares, fez novas amizades, conheceu outras pessoas e esqueceu seu aniversário. ele não falou com ela, ela não falou com ele, naquela noite ela encontrou outra pessoa, provou outro calor, outro cheiro, outro gosto, ela mergulhou-se por inteiro. ele bebeu todas, se afogou na bebedeira, divertiu-se a noite toda - com amigos - a noite inteira, ele perdeu um objeto delicado, que ambos carregavam, lembrança de passeio juntos, pelo parque.
ela perdeu tanta coisa no meio do caminho que nem ligou pelo fato de ele perder o seu passado - ela parecia o ter perdido também. ela se envolveu - não com ele, com outro alguém - mas ela não contou, pra ninguém; e aconteceu a maior festa no reencontro; foi um quase feliz final, igual a um conto. ela nem ligou, até quase esqueceu do outro fulano.
ela se sente mais envolvida com coisas do que pessoas - mas ninguém repara.
um alou para “em - dois tempos”
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juh on 22 Nov 2008 at 12:32 pm #
:) !!