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Carta aa/o leitora/leitor

Nao me chamem de desnaturada - tambem nao reclamem o fato de nao ter acentos, eh desse modo com o meu novo com-puta-dor. Nao sou desnaturada, apesar de nao saber ao certo de onde provem meu sentimento de natureza. Bicolor ou indygesta.
Tambem nao sou insensivel, alias, pensar nisso me lembra que antes de ir/vir discutimos muito sobre “o desapego” - CORAGEM ou COVARDIA?. Talvez tenha um pouquinho de cada um.
As coisas tem ido bem, coisando o tempo todo. Por ali e por aqui (faz o baiao porque o bicho ta pegando na “cidade de deus”, puta tiroteio), foi assim a minha recepcao.
O trampo eh legal, beira-mar. Da pra ver a praia da janela  do predio, no decimo primeiro andar, tambem da pra ver o corcovado. Mas a praia nao eh de nadar, eh poluida pacas. Alias, o ar aqui eh muito diferente, apesar de ter muitas arvores, tudo eh meio preto - com cheiro de maresia&esgoto.
Despejaram a Lima Barreto anteontem - des-des-des-des-des-des…

Senti saudade numa festa, me lembrei de rangos coletivos quando estava fazendo um macarrao com majericao. Tomo cerveja a um real na lapa, hoje tem Tom Ze no centro, ainda estou sem internet. Queria ouvir mais vozes e pegar em mais corpos, sentir a quentura - nao deve ser soh do calor Rio 40 Graus. Sentir, ouvir, falar e gritar.

delícias.

Para Juh

Vontade de comer todo mundo. Devorar. Lamber. Degustar. Morder. Pedaço por pedaço, olho por olho, dente por dente.

Dá água na boca.

Eu não me lembro

Quando foi a última vez que você chorou?

Assim, num dia de volta, pôr-do-sol, ao longe se via a cidade, além da costumeira mancha preta por cima da cidade com seu céu cinza, via-se uma nuvem, que saia do meio - entre a mata e a cidade - de uma fábrica da unilever - dizem que de manhãzinha dá pra sentir cheiro de extrato de tomate. Um nojo.

Mas não se perde. Caminhando, num jogo de pegadas entre britas na terra e na grama torrada com o sol de inverno do cerrado, o céu de onde estava era mais bonito, azul, amarelando ao cair do dia. Foram quatro paradas, mais trinta minutos e as corujas começariam a aparecer, se estenderiam nos tocos de madeira que cercavam o caminho e cantariam o seu canto noturno.

As paradas se deram a cada nova reflexão com um misto de nó na garganta. E eis que emergem questionamentos, angústias, anseios. Sabe, ás vezes com uma boa gargalhada nem é preciso chorar. Daquelas de rasgar o peito. É, se hoje o dia amanheceu chovendo, sorria.

- O seu abraço é o melhor.
- Mas ele não é nada sem o abraço de vocês, só com eles que ele se completa.

“Pois nem tudo que você merece te merecerá
Então se cale, acenda um cigarro de bali,
ponha a mesa e ferva a água para o chá
Pois a vida não dá tempo pra lamento, não dá “

1/2 mês

Cheguei.
Peguei um ônibus da Nacional Expresso para voltar, segundo consta na passagem chegaria às 7h da manhã, ao entrar no veículo, o motorista que nos cumprimentou disse “A previsão para a chegada em Goiânia é às 5h da manhã”. Malditos! Deve ser algum tipo de artimanha para não sofrerem processos por atraso.
A viagem de volta foi bem tranqüila, dormi na maior parte do tempo e estou aqui, bem viva - tentando tecer recordações para dizer-lhes.

A ida não foi tanta, o avião da Gol, na sexta-feira de 13 de julho, sofreu algumas turbulências. Alguns dias depois aconteceu aquele trágico acidente da TAM, em Congonhas, foi tenso, mas ainda fomos em um tal de Berlim - eu na companhia de um chá verde amargo.

O Encontro foi interessante - não mais que isso. Particularmente, o vejo como um encontro de guetos, a dimensão de sua influência é enorme, mas sua atuação bem pequena. Prefiro falar sobre isso, do que escrever (por hora).

Ando um pouco preocupada com algumas coisas que terei que resolver (aqui e agora!); no mais, a vida não deixa de pregar peças - espero que algumas coisas dêem certo.

O coração vai bem, obrigada. Os joelhos é que não vão muito bem, dei uma abusada. Deixei pedaços de mim por aí - uma blusa de frio, meu brinco favorito e um pauzinho de cabelo, adoraria tê-los de volta. Em compensação trouxe pedaços de outras pessoas comigo “toma cuidado que esse é filho único de mãe solteira”. Ah! Eu vou tomar cuidado. :)

sua tagarelice diante do meu silêncio

Ontem, foi em um esforço quase subumano que resisti.
Ele passou o dia do meu lado falando-falando-falando, e eu com meu ar vazio, entoava levemente quando levava meus olhos aos seus: “Ein? Desculpe, me perdi, pode repetir por favor?”
O restante se passou em outro esforço de resolver um problema que não é meu, ele se indagava “E agora?”, respondia calmamente: “Agora espera”. O diálogo se seguia:

- Mas o que eu posso fazer?
- Esperar.
- E você?
- Também.
- Não tem mais nada que nós podemos fazer?
- Se tivesse, eu com certeza já teria feito.

Algumas pessoas me surpreendem com a sua preocupação antecipada em algo tão pequeno e miúdo. Eu costumo repetir para ele que no final sempre dá certo - nesse caso, pelo menos.

Dos dois, hoje admiravelmente recebi um email de sua percepção de um problema que fora resolvido; coincidentemente eu não resolvi coisa alguma, passei grande parte do dia de cama, como ainda estou. Deve ter sido ilusão de ótica.

Estamos na xanta!

Reafirmando!

saltimbancos.naxanta.org

torrent - lavagem de informação

17:48 <nah> eh tipo divisao de um arquivo
17:48 <nah> em varios servidores
17:48 <everi> umm
17:48 <everi> ahhhh
17:48 <nah> dai qndo vc vai baixar eele
17:48 <nah> vc pega um endereco
17:48 <everi> dai pesa menos neh
17:48 <nah> qeu capta em varios servidores ao mesmo tempo
17:48 <nah> fica tudo perdido na web
17:48 <nah> :)
17:48 <everi> muito legal isso em
17:49 <everi> eh tipo um teletransporte de arquivos
17:49 <everi> hehe
17:49 <everi> as moleculas do arquivo se quebram vao para lugares diferentes e depois eh
possivel junta-las em um outro lugar
17:50 <nah> eh :)
17:50 <everi> pensei agora que isso eh tipo como a lavagem de dinheiro
17:50 <nah> hauhauhauhaua
17:50 <everi> o cara pega uma grana alta e deposita em varias contas de diferentes laranjas do
mundo todo
17:51 <everi> depois os diferetes laranjas aos pouco vao depositano as pequenas quantias numa
outra conta de um outro laranja
17:51 <everi> e entao tah la o dinheiro
17:51 <nah> hahahahahhahaha

Canção

Nunca eu tivera querido
dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca,
e depois no teu ouvido.
Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.
O sentido está guardado
no rosto com que te miro,
neste perdido suspiro
que te segue alucinado,
no meu sorriso suspenso
como um beijo malogrado.
Nunca ninguém viu ninguém
que o amor pusesse tão triste.
Essa tristeza não viste,
e eu sei que ela se vê bem…
Só se aquele mesmo vento
fechou teus olhos, também…

um pouco mais

Sonho Real

Dia de quinta

Líquido borbulhante
Faz tizz no cérebro
Pára e borbulha; quente gelado
Desce e transparece pelos olhos.
Aparece.

Antes
Doeu como um nó
Uma corda, prendendo, detendo a garganta
Uma bola da árvore de algodão, parada.

Ar
Tecendo fios de vozes
Gritando internamente (rr)
Para sair. Sem sucesso.

Força, que desce, repentinamente
Aos pés, e pesa
E sobe e desce
(Bate o pé)

Líquido borbulhante
Torcendo o ar para sair
Tecendo fios de força para sorrir
Morrendo, sem graça, a prosseguir.

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