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relato de uma bicicletada

foi a minha primeira vez na bicicletada de são paulo, e eu nem achei que ia.
naquela gostosa tarde de sexta-feira tecendo planos e contando contos, um amigo me convidou para acompanhá-lo a ciclar, apesar do dedão do meu pé ainda não se mexer (desde um acidente com a bike semana passada, nas ruas de milão) topei o convite.

saímos atrasados e paramos na borracharia para dar um jeito em um pneu furado; foram mais 20 minutos de atraso - mas bicicletas dão conta do recado. tesourando no trânsito de são paulo me lembrei porque sempre estava doente quando morava e trabalhava aqui. ir e voltar ao trabalho nas ruas de são paulo é um tanto arriscado para a saúde; a parte do trânsito caótico a poluição é quase insuportável, cortando o rosto, rasgando a garganta. é sim, preciso de uma máscara para respirar.

chegamos na praça da ciclista e a massa crítica já havia partido, então seguimos a paulista na esperança de encontrá-los. na primeira quadra cruzamos um grupos de ciclistas da nike, preparados para realizar um massacre mercantilista, oportunistas - pareciam também ter perdido a massa.

seguimos o fluxo da avenida paulistas, depois de cerca de duas quadras encontramos a bicicletada, faixa, apitos, luzes e muitas bicicletas! “mais adrenalina, menos gasolina”. o fluxo era lento, mas a idéia de permanecer em massa (todo mundo junto pedalando) funcionou bem, na brigadeiro aconteceu a mandala. várias bicicletas seguindo em caracol - parando o trânsito! confesso que foi meio caótico, mas emocionante.

seguimos voltando o caminho, é in-crí-vel como as pessoas apóiam a massa crítica (também pudera, no meio de tanta poluição). no caminho, um ônibus de turismo passou gritando em apoio, e gritamos na seqüência, e fomos em fluxo. na chegada da praça do ciclista o ônibus havia parado, as pessoas que estavam nele desceram com instrumento e tocaram para a bicicletada!

a massa crítica seguiu para o casório e eu segui para o boteco com outros ciclistas.

alguns relatos contam que em uma parte de caminho um policial jogou spray de pimenta quando a massa crítica se aproximava.

relato da bicicletada de goiânia.

moon

sonhei com dentes,
acordei pensando em morte.
adormeci num piscar de olhos,
duas horas depois o café estava pronto.

massa crítica

goiânia
massa critica goiania

são paulo
bicicletada sao paulo

tuesday

18:42 GTM -2

ladies and gentlemen, welcome to raining São Paulo.
AHAM, VERY SORRY:
welcome to Brasil.

em - dois tempos

ele acordou, olhou pro lado, ela não estava lá. olhou para o teto, tentou imaginar o seu reflexo, em vão. se virou de bruço, contou os minutos e levantou-se de sopetão. ela, acordou bem tarde, contou os minutos e tomou um banho quente, acendeu um cigarro, tomou o café e saiu pela cidade, alegremente.

passaram-se os dias, ele pensava nela, na sua companhia - ela já andava por outros lados, outras esquinas; visitou alguns bares, fez novas amizades, conheceu outras pessoas e esqueceu seu aniversário. ele não falou com ela, ela não falou com ele, naquela noite ela encontrou outra pessoa, provou outro calor, outro cheiro, outro gosto, ela mergulhou-se por inteiro. ele bebeu todas, se afogou na bebedeira, divertiu-se a noite toda - com amigos - a noite inteira, ele perdeu um objeto delicado, que ambos carregavam, lembrança de passeio juntos, pelo parque.

ela perdeu tanta coisa no meio do caminho que nem ligou pelo fato de ele perder o seu passado - ela parecia o ter perdido também. ela se envolveu - não com ele, com outro alguém - mas ela não contou, pra ninguém; e aconteceu a maior festa no reencontro; foi um quase feliz final, igual a um conto. ela nem ligou, até quase esqueceu do outro fulano.

ela se sente mais envolvida com coisas do que pessoas - mas ninguém repara.

da razão

- oi, tudo bem?
- tudo e você?
- um tanto quanto confusa.
- confusa? por quê?
- porque eu quero ficar, mas devo ser mais racional ao tomar essa decisão, e voltar para o brasil.
- se você quer ficar, por que seria racional voltar para o brasil?

31 de outubro

experimentando o halloween

gosto de bruxas, abóboras, gostosuras e travessuras…
… mas, definitivamente, não gosto de ovos!

como no brasil não temos halloween, tive que ler um pouco na internet para entender as estranhas tradições que essa festa tem, como por exemplo “atirar ovos nas pessoas”. a estória (um tanto quanto moderna) é que a casa que não dá gostosuras ou travessuras leva ovadas; acontece que não funciona bem assim - se é que isso realmente deveria funcionar. as pessoas são alvos de ovadas a qualquer momento, em qualquer lugar. quase me acertaram hoje (e nem é mais halloween).

na noite do halloween, fui “dançar sobre o túmulo do capitalismo” ou pelo menos era assim que era chamada a meio festa/meio protesto que aconteceu Canary Wharf, no centro de londres.
como escrever sobre o passado me dá vontade de viver o presente, ficam apenas algumas fotos daquela estranha noite. e uma boa matéria no site do centro de mídia independente de londres.

capitalism is not working, is it? wtf is she doing?

who did invite them?

o meu desejo

outro dia, escrevi na minha mente um conto-erótico-persuadido, com palavras que não sei de onde brotaram e muito menos onde foram parar, mas que representavam somente o meu desejo de possuir-te.
hoje, o ventre que me dói tanto, tanto, não permite esses pensamentos tão brandos; mas tento, me esforço penso, nos bons momentos, que meus lábios colavam aos seus e percorriam seu corpo docemente, e atroz devorava-lhe o sexo - e com ternura guardava tudo o que podia de ti.

e penso - ah, não penso! - mas, se sinto, não mais do que a minha vontade de ficar, também sinto que a distância nada mais é do que um passo adiante para aquelas que querem construir e provar mais do que ti. e a minha vontade de ir, e a minha vontade de ficar, que me engana - tão corriqueiramente - não faz mais do que eu mesma poderia fazer por mim.
e se fosse para me arrepender, me arrependeria dos momentos que pude ter deixado de aproveitar, com ou sem ti. mas consenti com esse destino tão suspenso, surpreso, tão volúvel e vulnerável da minha vida. e se há de representar um papel, continuo no mesmo, chegando e indo embora - um papel temporário, bem sem demora.

mas ainda há algo que queria exprimir, que por mais que o meu desejo de tê-lo em meus braços seja ardente e intenso; há também dentro de mim um desejo tão grande quanto esse de informar-lhe que não confio em você.

dê-lhe ovários e outras perspectivas

passando por todos esses diferentes lugares em que estou, tenho sempre em busca relacionamentos entre as leis dos diferentes países para a saúde feminina.

na itália, o aborto é legal, é seguro e o estado garante; entretanto, alguns médicos simplesmente se negam a realizá-lo. quase o mesmo se sucede aos métodos contraceptivos, inclusive, à pílula do dia seguinte, que não pode sem comprada ou adquirida sem prescrição médica. esse país tão cristão exerce mesmo muita influência nas (pobres) vulneráveis mentes humanas.

em londres é bem diferente, o aborto é legal, é seguro e o estado garante; os métodos contraceptíveis são de fácil acesso, inclusive a pílula do dia seguinte, que pode ser adquirida após um questionário que deve ser respondido na farmácia visitada.

no brasil, o aborto é ilegal, é inseguro e o estado não garante. além de tudo isso, aborto é considerado crime, de acordo com artigo 128 do código penal, “crime contra a vida”. para mim, é um crime estatal contra as milhares de mulheres que querem e exercem o direito ao seu corpo - que somente à elas pertence - com risco de perder a própria vida.

é tanta gente, nas ruas, nas esquinas, mal-amadas, mal-queridas. é tanta gente; e não cabe mais, nem a mim nem a você. só a si mesma tentar compreender tanta hipocrisia causando hemorragia; quando o poder de decisão deveria ser auto-direcionado. cabe a mim, cabe a você decidir; mas porque eles ainda querem tentar nos coibir? dê-lhes ovários!

do outro lado em outro lugar

dois dias em londres

aqui o sol é frio, mas inspira um belo dia.
vou dar uma volta para encontrar a calmaria…

não esquecer o guardachuva, cidade da garoa, meio são paulo, intercontinental - sirenes, buzinas, ambulâncias. línguas faladas irreconhecíveis; outras sim, talvez, compreensíveis.

hoje sinto saudade do brasil. procurando na internet “brazilian food in london”. alguma coisa pode me contagiar…

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