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endocardite infecciosa

Quando morri de Endocardite Infecciosa
E que enterro lindo; com flores e lágrimas abundantes…
Perguntaram-me apenas no óbito
Se a doença se escrevia com letra maiúscula ou não.

por durden poulain

você inventa, eu invento.

o seu problema maior que é nenhum
o meu problema maior que é nenhum
nenhum problema é maior que o seu
nenhum problema é maior que o meu
o meu problema é maior que nenhum
o seu problema é maior que nenhum
problema é nenhum maior que o seu
problema é nenhum maior que o meu
maior que o meu problema é nenhum
maior que o seu problema é nenhum
o seu problema maior que é nenhum
o meu problema maior que é nenhum

cadê tudo que é querido, é querência
nesse momento.. pra todo lado só tem
clemência
cadê o ar? está sem condições
nesse mar… não tem nem ilusões.

e como tá quente.

cesta

se não se importar
vou dar a volta ao mundo hoje.

caso se importe
abro as portas
torço os meus braços
num abraço
que contorce o seu corpo
num amasso
que sente o seu cheiro
e num descaso
te largo, sem jeito.

me irrita de forma
indefinida

[e indygesta]

algumas vozes
,que tão somente me irritam
pelo simples fato de serem

[vozes]

me escondo
num canto do quarto
e canto num ritmo silencioso
pelo apelo e pelo apego
desgostoso.

busco nas formas,
escuras e claras
molhadas pela chuva constante
o amor

caminhante perdido
largado na esquina
enrolado num cobertor
sentado em um papelão
envolto de ilusão
misturado de energias
contido em sua solidão.

romance #1

chegou em casa e deitou-se de lado, de bruço, de costas, de frente, de todos os lados que conhecia; só se adequou quando enfiou a cabeça embaixo do travesseiro. e ficou lá, parado, pensando com os olhos fechados, navegando. queria chorar, mas não conseguia, sua cabeça não parava de martelar na história construída por aquele amor platônico que ele sentia.
nunca demonstrou, não contou para ninguém, mas vivia o mais belo romance como ninguém sabia - vivia e amava loucamente, às vezes, até paranoicamente, mas só no seu íntimo, no íntimo de seu ser.
foi terrivelmente surpreendido por uma amiga, quando ela lhe contou que sua amada havia se casado (como assim?, se perguntava, ele tampouco sabia que ela estava noiva), respondeu apenas: ah é? legal.

a amiga não sabia, mas acabava de destruir um grande amor, de cortar um coração em fatias finas e compridas e picotá-las logo em seguida, de botar fogo em pele, de afogar um ser.. com apenas algumas palavras…

ele se sentia sem ar, e sem ar continuou sentindo-se até adormecer. sem ar. a… mar.

do amor que foi criado
restou cinza e pó.
da criação, restou um pobre coração,
adoecido.

dos olhos,
faltaram as lágrimas.

dia no lago (perto das brisas)

não sei o que era mais preocupante: a falta de comprometimento das nossas ações ou das nossas relações.
nos encontramos nessa semana, na beira do lago que tem um caminho de madeira; naquela casa (de madeira) com grandes vidros onde mora aquele homem, que fuma malboros e toma café excessivamente.
o lugar sempre venta muito, aliás, fomos surpreendidos, porque o dia estava calmo, sem ventos.
refletimos sobre o que está acontecendo com o mundo e conosco, a nossa vida. porque afinal de contas, o mundo é o que vemos através de nossos olhos, e talvez não seja o mesmo para mim e para ele; provavelmente não é, apesar de nossos anseios e desejos se encontrarem na maior parte do tempo.
gosto do barulho das árvores que faz naquele lugar, a brisa é mais doce do que por aqui na cidade com a maresia, e a companhia dele me faz bem também, tranquiliza - é bom saber que posso falar todas as besteiras e rolar no chão, fazer gracinhas e empurrá-lo no lago sem que ele ache que estou lelé-da-cuca; até essas expressões o simpatizam.
falta escrever sobre o que conversamos dos problemas do mundo; fica pra mais tarde.

des-barba

joão enrique nasceu sem pêlos, pelado, e sem h, apesar de isso não significar muita coisa na sua vida - a não ser pelas piadinhas malvadas que seus amigos faziam, desde o jardim de infância até a vida acadêmica (e a turma do bairro também).

aos 14 anos joão não tinha barba, nem ânsias de tê-la, por isso não fez como seus colegas que pegaram um gilete dos pais (alguns compraram) e passaram na bochecha pelada, fazendo machucados.

às vezes ele deixava recados em bancos de praças e assinava como j.e., pensava se alguém iria achar que seus recados seriam de uma jovem chamada joana eleonora, ou talvez, juliana. ele não é poeta, nem era, nunca foi. talvez, nunca será; mas sempre gostou de escrever coisas desconexas - que ele chamava de “palavras extravagantes”. nunca entendi porque dera esse nome; nem tampouco porque me contara isso na esperança que eu divulgasse para alguém (até parece!).

no final das contas, joão enrique cresceu sem barba, como os indígenas; e até hoje se pergunta por que as pessoas insistem em tirar seus pêlos se depois disso eles crescem ainda mais e dá tanto trabalho!, e as mulheres, então, gastam uma nota com isso.

j.e. mudou-se para guatemala, nunca mais tive notícias. espero que esteja bem. um dia quero ir para bahamas.