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arquivos da categoria poesia

mundo… mundo…

“mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.”

do carlos drummond de andrade

e onde meus desejos se encaixam bem:
“mundo mundo vasto mundo,
eu queria era ser vagabundo.”

sutilidades

lei da selva

ser forte como o leão
e leve como a borboleta.
- essa é a verdadeira lei da selva.

mais uma poesia do bruno zornitta

endocardite infecciosa

Quando morri de Endocardite Infecciosa
E que enterro lindo; com flores e lágrimas abundantes…
Perguntaram-me apenas no óbito
Se a doença se escrevia com letra maiúscula ou não.

por durden poulain

você inventa, eu invento.

o seu problema maior que é nenhum
o meu problema maior que é nenhum
nenhum problema é maior que o seu
nenhum problema é maior que o meu
o meu problema é maior que nenhum
o seu problema é maior que nenhum
problema é nenhum maior que o seu
problema é nenhum maior que o meu
maior que o meu problema é nenhum
maior que o seu problema é nenhum
o seu problema maior que é nenhum
o meu problema maior que é nenhum

cadê tudo que é querido, é querência
nesse momento.. pra todo lado só tem
clemência
cadê o ar? está sem condições
nesse mar… não tem nem ilusões.

e como tá quente.

radum

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

Receita de Ano Novo

702.jpg

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Por Carlos Drummond de Andrade, o anarquista-ta-ta.

cesta

se não se importar
vou dar a volta ao mundo hoje.

caso se importe
abro as portas
torço os meus braços
num abraço
que contorce o seu corpo
num amasso
que sente o seu cheiro
e num descaso
te largo, sem jeito.

me irrita de forma
indefinida

[e indygesta]

algumas vozes
,que tão somente me irritam
pelo simples fato de serem

[vozes]

me escondo
num canto do quarto
e canto num ritmo silencioso
pelo apelo e pelo apego
desgostoso.

busco nas formas,
escuras e claras
molhadas pela chuva constante
o amor

caminhante perdido
largado na esquina
enrolado num cobertor
sentado em um papelão
envolto de ilusão
misturado de energias
contido em sua solidão.

divida por três

luz e sentido e palavra; palavra é o que o coração não pensa.

ontem faltou água, anteontem faltou luz. teve torcida gritando quando a luz voltou.
não falo como você fala mas vejo bem o que você me diz. se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito. e você estava esperando voar, mas como chegar até as nuvens com os pés no chão?

o que sinto muitas vezes faz sentido, e outras vezes não descubro o motivo que me explica porque é que não consigo ver sentido no que sinto, no que procuro e desejo que faz parte do meu mundo.

o arco-íris tem sete cores. e fui juiz supremo… vai, vem embora, volta; todos têm (todas têm) suas próprias razões..

qual foi a semente que você plantou?

tudo acontece ao mesmo tempo, nem eu mesma sei direito o que está acontecendo… e daí?
de hoje em diante, todo dia vai ser o dia mais importante.

se você quiser alguém pra ser só seu é só não se esquecer: estarei aqui. não digo nada, espero o vendaval passar, por enquanto eu não sei… o que você me falou me fez rir e pensar: porque estou tão preocupada por estar tão preocupada assim?

mesmo se eu cantasse todas as canções. (todas as canções, todas as canções.) todas as canções do mundo. sou bicho do mato masse você quiser alguém pra ser isso seu, é só não se esquecer: estarei aqui. ou então não terá jamais a chave do meu coração.

manifesto da ocupação vinícius de moraes

por bruno zornitta

abaixo a propriedade emocional
vamos ocupar os corações improdutivos
que não cumprem sua função social
segundo estabelece a constituição da república federativa do amor
em seu artigo primeiro

resistiremos à violência
do aparato repressivo do ciúmes
com a força de nossa alteridade
e recorreremos ao judiciário, inclusive
se assim for necessário
alegando o direito inalienável do ser humano
ao amor livre

recomendo

Recomendo, para leitura, com tempo, esse blog:
paralemdemim.blogspot.com

Uma resposta a busca na internet “sentimento de instabilidade”.

Outro resposta veio do poesiacontraaguerra.blogspot.com:

A instabilidade das cousas do mundo

Gregório de Matos

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Fonte: Spina, S. 1995. A poesia de Gregório de Matos. SP, Edusp.

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